Um vizinho meu contou um caso bem interessante, ele diz que trabalha em uma empresa já faz dez anos. Quando ele foi admitido o departamento dele tinha vinte e quatro funcionários, hoje tem treze, só que, segundo o meu vizinho, há muito mais trabalho para ser feito agora do que havia há dez anos, portanto, a carga de trabalho de cada funcionário dobrou, só que o salário não dobrou, muito pelo contrário, não bastasse isso, já começaram a circular rumor de que até o fim do ano o número de funcionários será reduzido, de treze para onze, e ele se pergunta onde isso vai parar.
Em um dia de madrugada eu estava assistindo o programa do Jô, e eles fizeram um exercício muito interessante, o sexteto do Jô começou a tocar, e aí a cada trinta segundos o Jô mandava um dos músicos parar de tocar, parou o primeiro, parou o segundo, e aí a platéia começou a rir, porque aparentemente a música continuava a mesma, embora o número de músicos estivesse diminuindo, por fim ficou só o tecladista, e ele começou a fazer uma ginástica danada para manter o ritmo e mostrando um entusiasmo e uma agilidade que ele não demonstrava quando os outros cinco músicos estavam tocando junto com ele. Evidentemente ao fim da apresentação o Jô por brincadeira demitiu os cinco músicos e manteve só o tecladista.
As empresas também vem fazendo isso, mas não por brincadeira, o que acontece é que aqueles que ficam começam a trabalhar o dobro ou o triplo para cobrir a falta dos que se foram, assim o ritmo individual aumenta, e o ritmo geral é mantido. As empresas acreditam que seus funcionários são incansáveis e que poderão ser cada vez mais versáteis, em linguagem de empresa isso se chama produtividade, em linguagem de funcionário isso quer dizer que o baile não vai parar, mas alguns irão tocar, e outros irão dançar.