03
Out
08

Métodos nada ortodoxos

UMA DAS GRANDES SACADAS MOTIVACIONAIS QUE EU VI EM MINHA vida aconteceu numa reunião de gerentes de vendas. Como acontece em muitas empresas, nosso pessoal de vendas se reunia uma vez por mês para discutir os resultados do mês anterior e falar dos planos para o mês seguinte. As reuniões seguiam um padrão bem definido: o diretor financeiro apresentava os números, o diretor de marketing falava das promoções, o diretor de RH incentivava o espírito de equipe e aí cada gerente regional de vendas explicava o que tinha feito no mês passado e o que estava fazendo no mês em curso. Acontece que, por três meses consecutivos, tínhamos ficado abaixo da meta. Ou seja, o blá-blá-blá não estava resolvendo nada. Aí, o diretor de vendas chegou na reunião e disse: “Ficamos de novo abaixo da meta. Pelo terceiro mês. Não tenho mais o que dizer. Por isso, vamos aproveitar o tempo para melhorar nossa cultura. Vamos fazer uma leitura conjunta dos Lusíadas, de Luís de Camões”. Acho que todo mundo já ouviu falar dos Lusíadas, o épico poema português, mas eu não conheço ninguém que tenha tido a paciência de ler a obra inteirinha, até porque ela é absolutamente ininteligível para seres normais como nós. Os Lusíadas têm 1.102 estrofes, cada uma com 8 linhas, o que dá, se não me falha a conta, 8.862 linhas. E linhas compridas, cheias de palavras que não se usam mais, desde mil e novecentos e Machado de Assis. Mas, se o diretor mandou, fazer o quê? E aí 15 gerentes, em voz alta, começaram a ler. E depois de uma hora, eles só tinham chegado perto da linha número 700. Faltavam, ainda, mais de oito mil linhas! Foi quando o diretor de vendas disse: “Ok, está ótimo por hoje. Continuamos a leitura na reunião do mês que vem”. E no mês seguinte, como que por milagre, as vendas foram 12% superiores à meta. Vendas é assim. Se a motivação não funciona, a tortura sempre resolve.

Fonte: O melhor de Max Gehringer na CBN Vol. 1
“120 Conselhos sobre carreira, currículo, comportamento e liderança”


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